terça-feira, abril 17, 2012

zero inteligência


Quando eu era puto e ouvia os Xutos e Pontapés, o Tim (o vocalista) era um gajo magro e, mal ou bem, ia cantando músicas que tentavam falar dum mundo que é injusto nos seus modelos social e económico. Era o caso de músicas como "Remar Remar", "Na América" ou "Barcos Gregos". Com o tempo, e não foi preciso muito, os Xutos e Pontapés foram-se transformando numa banda patética e o Tim engordando. Foi este Tim barrigudo, e por isso com um umbigo maior do que sempre, que escreveu a letra do hino da Acção "Zero Desperdício".



Eu não sei o teu nome, mas sei que te posso ajudar
Sei que andas a passar fome, mesmo andando a trabalhar
Porque eu não aproveito ao almoço e ao jantar
A ti, nada dá jeito. Temos de nos encontrar


E acordar, e acordar, e acordar...


Vês a grande superfície, parece uma mar de abundância
Mas para ti nada existe, é um sonho à distância
As coisas que jogam fora ainda dentro da validade
Davam para ir até à lua e ainda sobrava metade
Tu abraça esta ideia, temos todos de ajudar
Vamos criar uma cadeia
Temos que dar as mãos e ajudar


E acordar, e acordar, e acordar...


Ora bem vistas as coisas, temo de aproveitar
O que sobra aqui ao lado, noutro está sempre a faltar
Temos que dar as mãos e ajudar


E acordar, e acordar, e acordar...

Com o Tim, outros palermas do nosso pitoresco star system português, aceitaram participar na música mais fascista que este país já viu nascer. A saber: Ana Bacalhau, Anabela, Anjos, António Pinto Basto, Adriana, Ana Sofia Varela, Armando Teixeira, Boss AC, Camané, Carlos Mendes, Chullage, Cristina Branco, Cuca Roseta, Fernando Cunha, Fernando Girão, Fernando Tordo, Gomo, Janita Salomé, João Pedro Pais, Jorge Palma, João Gil, Kátia Guerreiro, Lara Li, Lúcia Moniz, Luís Represas, Luísa Sobral, Manuel João Vieira, Mafalda Veiga, Miguel Gameiro, Miguel Pité, Nuno Norte, Olavo Bilac, Paula Teixeira, Paulo de Carvalho, Pedro Laginha, Pedro Puppe, Ricardo Quintas, Ricardo Ribeiro, Rita Guerra, Roberto Leal, Rui Veloso, Salvador Taborda, Sara Tavares, Sérgio Godinho, Susana Félix, Tiago Bettencourt, Tim, Tito Paris, Vitorino, Zé Manel.
Se é  verdade que por alguns nunca dei nada, admito a enorme desilusão por ver nomes como o da Ana Bacalhau, Boss Ac, Chullage, Jorge Palma, Fernando Tordo ou Sérgio Godinho, porque esta música, muito antes de ser contra a pobreza, é assumidamente pela sua manutenção. Não faz mal que 99% da população mundial seja roubada por 1%, desde que os mais pobres possam comer restos dos que ainda têm dinheiro para ir ao restaurante. Estes músicos palermas todos juntos, tornaram-se numa espécie de reunião das Nações Unidas para turista ver, ou seja, naquela espécie de gajos que se reúnem de vez em quando em hotéis de cinco estrelas a comer durante vários dias tudo do melhor que há, sempre a preços muito acima do mercado, para depois decidirem quanta farinha é que vão dar aos seu queridos pobrezinhos.
A especulação financeira e o roubo legalizado atingiram o cúmulo este ano, provocando miséria e fome um pouco por todo o mundo. O sistema de produção capitalista faz com que os Estados mantenham uma taxa de desemprego cada vez mais alta, para que assim o valor do trabalho desça e os grandes grupos capitalistas possam pagar cada vez menos aos trabalhadores. Os bancos, entretanto, tornaram-se numa espécie de ralo da banheira dos países. Sugam tudo porque, pelo menos teoricamente, não podem ir à falência, e o dinheiro todo dos nossos impostos vai direito para filhos da puta que nunca fizeram um corno na vida. O que é os nossos músicos de intervenção propõem? Aproveitar os restos dos restaurantes para dar às vítimas desta enorme injustiça. Vão-se foder!