sábado, maio 19, 2012

o "coiso" como desígnio nacional



Os portugueses são sempre a mesma coisa. Só sabem dizer mal de quem lhes quer bem. Portugal está perante, sem dúvida nenhuma, o melhor governo de toda a sua História desde 1143, e o que é os portugueses fazem? Dizem mal. É muita sorte termos uma série de governantes que fazem orelhas moucas às críticas e continuam, sem hesitar, esse caminho de coragem e determinação até à... até o... até uma cena fixe mas que agora não importa o que é.
Basta olharmos para a forma como o nosso primeiro-ministro, Passos Coelho, e também o ministro da Economia, Álvaro Santos, enfrentam o flagelo do desemprego. Passos Coelho chama-lhe uma oportunidade, Álvaro chama-lhe um "coiso". Não pode haver melhor estratégia do que mudar o nome do que não gostamos. Em vez de um milhão de desempregados, passamos a ter um milhão de oportunidades e de... "coisos". Está resolvido.
Álvaro Santos, ainda assim, demonstrou estar anos luz à frente do primeiro-ministro ao nível do que deve ser a estratégia nacional para resolver o problema de termos tantas oportunidades em Portugal, chamando a essas oportunidades um...  "coiso". Chamamos "coiso" àquilo a que damos tão pouca importância que nem do nome nos lembramos. Lá está, para não sofrermos com o desemprego basta não nos lembrarmos dele.
Eu até acho que nós, portugueses, devíamos substituir todos os verbos que nos lixam a vida pelo verbo "coisar". Trabalhar e votar, por exemplo, passavam a ser "coisar". Basta fazer um novo acordo ortográfico. Era muito melhor acordarmos todos os dias para ir "coisar" das nove às cinco do que para ir trabalhar, ou então, de quatro em quatro anos, "coisar" em políticos que não fazem mais nada do que... coiso.
E pronto, agora não me "coisem" mais a cabeça que eu já estou a ficar "coiso".

1 comentário:

Maria Mundo disse...

eheheheh Gostei do trocadilho.