sábado, março 19, 2011

agradecimento público à La Redoute


Quero agradecer imenso aos senhores que me enviaram um catálogo da La Redoute para casa. Não sei como é que souberam o meu nome e a minha morada mas não faz mal. As meninas são bonitas e eu até já estive assim aqui a olhar para elas, até porque não tenho tv por cabo e a antena do prédio caiu com o vento, de maneira que que a imagem é muito má.
Como nunca se deve desprezar um gesto destes, que acima de tudo, antes de mais e em primeiro lugar, revela que ainda há humanistas neste mundo que pensam desinteressadamente na solidão dos homens, queria responder dizendo que acho que a menina mais bonita é aquela que tem uma camisola de manga curta com folhos às cores. É prendada e não usa um decote enorme como outras que lá vêm nas páginas seguintes. É verdade que está de calças mas isso, hoje em dia, já se sabe como é: por culpa do 25 de Abril já as mulheres andam de calças, os homens deixam crescer os cabelos e usam brincos. Não se percebe nada. Enfim, como eu até sou um progressista, tolero isso (as calças, os brincos e os cabelos nos homens é que não).
Agora, e porque estive aqui a ver as meninas com os meus vizinhos, queria perguntar-vos o nome e a morada da senhora que vem na página 21, aquela que tem um vestido cor de rosa de €24,99, que também se pode comprar em preto ou vermelho. Gostava de a conhecer, assim só para a convidar assim aqui a vir a minha casa comer uma torrada. Tenho a certeza que se conseguiram o meu nome e a minha morada, também conseguem a dela facilmente, já que a ela até a conhecem pessoalmente. Os meus vizinhos também vêm e um deles, o senhor Reis, diz que assa uma chouriça e abre uma garrafa de jeropiga se ela vier.
Além disso, depois de tudo e por fim, parece que a senhora da capa, aquela loira com um casaco laranja que mais parece uma partenaire do Passos Coelho, faz uma colecção qualquer chamada Primavera. Eu não sei que tipo de colecção é essa, mas se eu tiver aqui alguma coisa que não me faça falta e lhe sirva para a colecção, pode levar à vontade. No sótão tenho muita coisa que já não uso, é uma questão de procurar. Isto também é um convite, não para a minha casa mas para a casa do vizinho do rés do chão, o senhor Junqueira, que não tem coragem de a convidar mas que eu percebi logo que lhe caiu o olho para ali. O olho e não só, que da maneira como coçava os tomates sei muito bem em que é que ele estava a pensar. Mas venha à vontade, que aqui na minha terra ninguém faz mal a ninguém desde que se portem bem.
E pronto, nestas coisas há sempre que agradecer. Aposto que mandam mais catálogos destes a mais homens e nenhum agradece, mas eu faço-o sempre. Se não fosse eu...


2 comentários:

Larose disse...

AHAHAHAHAHAHAHAHAH
JÁ CHOREI DE RIR

bagaco amarelo disse...

larose, eu cá ainda estou a ver o catálogo. :)